
O futuro das pessoas idiotas.
Aquele tinha sido um inverno muito estranho e muito quente. Eu me encontrava num período confuso da minha vida, solteiro, solitário. O ano era 2026. O lugar: um barzinho na Vila Madalena. Eu conversava com alguns amigos, os assuntos de sempre: se finalmente sairia o estádio do Corinthians, se o Romário devia ou não se aposentar nessa temporada, coisas assim. Foi quando passou por mim uma loira de uns 40 e tantos, não muito bonita, mas que me chamou a atenção por alguma razão. Fui até ela, me apresentei e logo descobri o seu nome, Suzane. Chamei-a pra nossa mesa. Meus dois amigos fizeram cara feia, mas eu não liguei e no fim nem eles, pois os dois, que eram irmãos por sinal, logo conversavam animadamente com ela. Tanto que, num dado momento, eu fui ao banheiro e quando voltei ela os tinha convencido a pegar o amendoim do casal na mesa ao lado. Ela ficava cada vez mais interessante aos meus olhos!
Fomos todos do bar para a minha casa. Depois de mais alguns drinks, meus amigos foram embora e fiquei sozinho com aquela mulher. Ela não gostou muito quando comecei a perguntar sobre a vida dela. Disse que tinha passado muito tempo fora do Brasil, mas depois confessou que tinha servido sentença numa prisão por um tempo, o que explicava talvez o meu fascínio. Ela perguntou um pouco sobre a minha vida, queria saber sobre os meus pais, se eles ainda eram vivos, se tinham o sono pesado e qual o tipo de alarme da casa deles...esse tipo de coisa. Quando respondi que os dois já haviam falecido e que eu tinha sido criado pela minha avó, ela suspirou profundamente e disse apenas: “deve ter sido uma adolescência tediosa...” Nós dois rimos, achava aquela mulher cada vez mais interessante e queria uma foto minha com ela. Suzane jogou todo seu cabelo na frente do rosto na hora da foto e deu uma longa gargalhada: “acho que sou mais fotogênica assim”. Tínhamos muitas coisas em comuns: não nos dávamos bem com nossos irmãos, não gostávamos do fantástico, odiávamos aqueles cravinhos que aparecem no rosto.
Conversamos tanto que uma hora acabaram os assuntos...peguei um jornal e passamos a comentar alguns assuntos do nosso cotidiano. Política, economia, esportes, ela gostava de todos os assuntos. Comentei com ela sobre o caso de ontem, do filho que matou os pais com o ralador de queijo. Realmente, o mundo de hoje está perdido, no nosso tempo não aconteciam coisas assim. Suzane soltava cada uma: “ridículo, além do mais, usar ralador de queijo é pouco profissional”. Haha, como ela era engraçada. Demos mais algumas boas risadas e depois ela foi embora. Uau, que mulher interessante!



Escrito por Escalofanarios às 22h22
